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Canadá na Taça: o país que me conquistou pelo vinho (e muito mais!)

  • Foto do escritor: Laene Carvalho
    Laene Carvalho
  • 15 de jan.
  • 4 min de leitura

Não foi só o maple syrup ou as paisagens cinematográficas que me pegaram de surpresa.


O Canadá tem me conquistado aos poucos, e de um jeito inesperado: pela taça. Quanto mais exploro esse país gelado por fora e apaixonante por dentro, mais me encanto com seus vinhos, seus terroirs quase secretos e a maneira delicada (mas firme) com que os produtores daqui transformam o frio em poesia!


Sim, o famoso icewine é só o começo. Entre lagos glaciais, florestas aromáticas e vales escondidos, surgem vinhos de alma vibrante e elegante, daqueles que entregam frescor, textura, acidez no ponto e uma sinceridade que emociona. É como se o terroir canadense conversasse com quem prova, numa linguagem que mistura precisão técnica e alma generosa.


Regiões vinícolas que merecem seu passaporte:


Okanagan Valley – British Columbia



Foi aqui que eu comecei a entender que o Canadá sabe, sim, fazer vinho com alma.


Okanagan parece saído de um sonho (pelo menos de um sonho meu!): um lago azul profundo cercado por montanhas que mudam de cor ao longo do dia, vinhedos que se espalham como mantas verdes e um silêncio que só é quebrado pelo som suave das folhas dançando com o vento. O clima é generoso: calor durante o dia e noites frias que ajudam a manter a acidez lá em cima. E isso se sente na taça: os Chardonnays aqui têm uma elegância amanteigada sem perder o frescor (o que eu simplesmente AMO!), e os Pinot Noirs são pura seda com um toque de especiaria.


Similkameen Valley – British Columbia


Similkameen é aquele destino que parece sussurrar ao ouvido dos que buscam autenticidade. É mais rústico, mais cru, mais visceral e talvez por isso tão cativante. Os vinhos aqui têm pegada. Os solos são pedregosos, o calor é mais seco, e os vinhedos parecem se enraizar diretamente nas pedras. Resultado? Tintos com personalidade e brancos com um toque salino e mineral que quase te fazem salivar. Os vinhos desse vale não são luxo ostentação, é sobre luxo de verdade: o da conexão profunda com a terra.


 Niagara Peninsula – Ontario



Agora, atravessando o país, a Niagara Peninsula é puro charme! A proximidade dos Grandes Lagos dá a essa região um clima especial, úmido e moderado, ideal para uvas sensíveis como a Riesling e a estrela doce da casa: a Vidal, usada nos incríveis icewines.


 Prince Edward County – Ontario



A região respira delicadeza. A brisa vinda do lago Ontario, os solos calcários que lembram Chablis, e uma cena vinícola cheia de gente jovem e criativa fazem dali um refúgio pra quem busca vinhos cheios de identidade.


Os Pinot Noirs que provei ali têm aquela nuance terrosa elegante, como folhas secas em trilha de outono, e os Chardonnays têm tensão, mineralidade, crocância. Tudo parece feito com leveza e intenção.


Nova Scotia – onde as borbulhas nascem do frio


Se o Canadá já é surpreendente como produtor de vinhos tranquilos, Nova Scotia vem ganhando os holofotes como o novo destino para espumantes elegantes e precisos.


Localizada no extremo leste do país, essa região combina brisas atlânticas, clima frio e solos minerais que criam as condições perfeitas para uvas como L’Acadie Blanc, Chardonnay e Pinot Noir.


O estilo aqui é todo voltado para frescor e finesse. Os espumantes são feitos pelo método tradicional, com borbulhas finíssimas, acidez vibrante e notas que lembram maçã verde crocante, limão siciliano e brioche recém-tostado. A vinícola Benjamin Bridge é um dos grandes destaques, seus rótulos já são comparados aos grandes nomes da Champagne, mas com alma 100% canadense. Um luxo!


As castas que brilham no frio


O clima canadense favorece uvas de ciclo curto e boa acidez natural. Algumas das estrelas:


  • Vidal: rainha dos icewines, concentra açúcar sem perder acidez.

  • Riesling: versátil, expressiva, mineral e cheia de vida.

  • Chardonnay: desde estilos frescos e cítricos até barricas elegantes.

  • Pinot Noir: delicada, aromática, e cada vez mais refinada.

  • Cabernet Franc: sucesso crescente em Ontario, com perfil herbáceo e elegante.

  • Syrah e Merlot: ganham corpo e profundidade em BC, especialmente no Okanagan.


Icewine: o tesouro canadense - e eu sou completamente apaixonada!


O icewine canadense é mais que um vinho de sobremesa no meu ponto de vista! É uma obra-prima do frio! As uvas são colhidas congeladas naturalmente (geralmente a -8ºC ou menos) e prensadas imediatamente, liberando um néctar concentrado e cheio de acidez vibrante. O resultado é um vinho denso, doce, mas equilibrado, com aromas de damasco, manga, marmelo e mel. O Vidal Icewine da Inniskillin é ícone mundial, mas outras casas como Peller Estates e Pillitteri também fazem belíssimos exemplares.


Terroir canadense: quando o frio vira poesia líquida


O segredo do vinho canadense está na dança delicada entre frio e luz. Os verões são curtos, sim, mas trazem dias longos e ensolarados, enquanto as noites frias mantêm a acidez viva nas uvas. É esse contraste térmico que dá aos vinhos locais sua assinatura vibrante e elegante. A influência de lagos cristalinos e oceanos gelados suaviza os extremos, permitindo uma maturação lenta, paciente, quase meditativa. Nos solos, uma mistura rica de calcário, argila e cascalho imprime textura, mineralidade e uma identidade que não se copia em outro lugar.


O resultado? Vinhos com precisão técnica, alma selvagem e uma sensibilidade que emociona. Rótulos que contam histórias de inverno, de superação, de pequenos produtores apaixonados. O Canadá, no vinho, é tudo menos óbvio e justamente por isso tão apaixonante para mim!


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